Integrada na Semana da Leitura, teve lugar na nossa biblioteca, no dia 24 deste mês, uma sessão de leitura a duas vozes que contou com a presença de professores, alunos e familiares, que brindaram os presentes com leituras de textos dos mais variados géneros. Algumas das leituras foram acompanhadas por um fundo musical proporcionado pelo som de uma guitarra.
Bem vindos ao blogue da Biblioteca da Escola Secundária António Inácio da Cruz em Grândola.
quarta-feira, 30 de março de 2011
segunda-feira, 28 de março de 2011
Feira do Livro
Decorreu, entre 22 e 24 de Março, a Feira do Livro, vocacionada prioritariamente para a comunidade escolar. Estiveram presentes mais de seis centenas de livros, a grande maioria usados, abarcando uma diversidade de títulos desde a literatura portuguesa à literatura estrangeira, passando pelos livros infanto-juvenis, pelos livros pedagógicos, pelos livros técnico-científicos, pela banda desenhada, entre outros.
Com esta iniciativa pretendeu-se promover o contacto dos leitores de diferentes idades com o livro e, deste modo, estimular o gosto pela leitura.
sexta-feira, 25 de março de 2011
A ladeira
Era uma vez dois homens. Um era alto, outro era baixo. Um era gordo, outro era magro. Um moreno, o outro ruivo. Um tinha a voz muito grossa e outro uma borbulha na ponta do nariz. Um chamava-se Manuel Francisco e o outro Francisco Manuel. E muito mais coisas poderia dizer de cada um deles. Mas o fundamental é que eram muito diferentes um do outro. Só numa coisa se assemelhavam: eram tremendamente teimosos.
Na terra onde viviam havia uma ladeira íngreme, inclinada, cheia de pedras e calhaus. Uma ladeira daquelas que a gente só sobe ou desce quando não pode deixar de ser.
Um dia, um dos homens ia a subir a ladeira quando o outro vinha a descê-la. Como é natural, encontraram-se a meio. Bem… a meio, a meio, exactamente a meio, não tenho a certeza se foi. Talvez tenha sido um bocadinho mais para cima ou um bocadinho mais para baixo. Para a nossa história esse pormenor não tem grande importância e, por isso, vamos fazer de conta que foi a meio.
Mais ou menos a meio da ladeira, os dois homens encontraram-se, pararam à frente um do outro e desataram a discutir. Um ia a subir e, por isso, achava que a ladeira era uma subida. O outro vinha a descer e, pelo contrário, garantia que se tratava de uma descida.
Sem chegar a acordo, sentaram-se ali mesmo no chão para tirar a questão a limpo. Quem os conhecesse, sabendo que eram homens de palavra fácil, capazes de inventar sólidas razões e grandes argumentos, logo via que aquela discussão ia demorar. E demorou.
Passaram-se sete dias e sete noites e a discussão não parava. Veio a Lua e foi-se o Sol, veio o Sol e foi-se a Lua e os dois homens a discutir. Nem o frio, nem o calor, nem a chuva os distraiu. Continuavam na mesma. Para um aquela ladeira era uma subida porque subia de baixo para cima. Para o outro era uma descida porque descia de cima para baixo.
A discussão continuou e continuou. À sétima noite começou a soprar um vento muito forte. Um vento tão forte e violento que arrancava terras, árvores e pedras e as atirava de um sítio para o outro. Um vento daqueles capazes de trabalhar lentamente séculos e séculos a fio, para mudar a face da Terra e transformar montes em covas fundas e buracos de meter medo nas mais altas montanhas.
O tempo passou. O vento mexeu com tudo. Mudou a paisagem. Transformou o mundo. Só os dois homens continuavam sentados no meio da ladeira sem darem por nada do que acontecia à sua volta. Estavam tão preocupados, cada um, em ganhar a discussão que não sentiram nem a chuva na pele, nem o frio nos ossos, nem o sol na moleirinha.
Passaram-se sete mil noites e sete mil dias, os homens a discutir e o vento a trabalhar.
A ladeira, a pouco e pouco, ia ficando diferente. A parte mais alta cada vez menos alta, e a parte mais baixa a crescer sem parar à custa de entulho, areia, calhaus e pedrinhas que a tornavam cada vez menos baixa.
Um belo dia, a parte de baixo e a parte de cima da ladeira ficaram iguais, da mesma altura e, portanto, a ladeira desapareceu. A terra ficou direitinha, lisa, uma planície que se estendia até perder de vista.
O vento, sem mais nada que fazer ali, foi trabalhar para outro lado. Os dois homens que, como eu já disse, eram muito teimosos, continuavam a discutir se a ladeira era uma subida que se descia ou uma descida que se subia.
A certa altura, olharam em volta, para um lado e para o outro, até onde a vista podia alcançar. Aperceberam-se então que a ladeira tinha desaparecido. Olharam um para o outro, levantaram-se, cumprimentaram-se e, cheios de orgulho, afastaram-se cada um em sua direcção, ambos seguros de que tinham ganho a discussão.
José Fanha, A Noite em que a Noite Não Chegou
Chá com Letras
Realizou-se no passado dia 22 de Março mais uma sessão do "Chá com Letras" em que estiveram presentes alunos e professores do ensino nocturno. Desta vez o livro escolhido foi um clássico:"As aventuras de Huckleberry Finn" de Mark Twain. Foi um serão agradável de se passar, onde se falou do livro, dos seus personagens, do autor e se estabeleram algumas comparações entre a época em que o livro foi escrito e alguns dos acontecimentos recentes da sociedade actual.
A próxima sessão está agendada para 17 de Maio próximo.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



