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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Este mês podes ler...

Uma pequena aldeia alentejana transforma-se em Jerusalém graças ao amor de uma rapariga pela sua avó, cujo maior desejo é visitar a Terra Santa. Um professor paralelo a si mesmo, uma inglesa que dorme dentro de uma baleia, uma rapariga que lê westerns e crê que a sua mãe foi substituída pela própria Virgem Maria, são algumas das personagens que compõem uma história comovente e irónica sobre a capacidade de transformação do ser humano e sobre as coisas fundamentais da vida: o amor, o sacrifício, e a cerveja.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Este mês podes ler...


A trajetória de Liesel Meminger é contada por uma narradora mórbida, surpreendentemente simpática. Ao perceber que a pequena ladra de livros lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. Traços de uma sobrevivente: a mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel e o irmão para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adotá-los por dinheiro. O garoto morre no trajeto e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve. É o primeiro de uma série que a menina vai surripiar ao longo dos anos. O único vínculo com a família é esta obra, que ela ainda não sabe ler.
Assombrada por pesadelos, ela compensa o medo e a solidão das noites com a conivência do pai adotivo, um pintor de parede bonachão que lhe dá lições de leitura. Alfabetizada sob vistas grossas da madrasta, Liesel canaliza urgências para a literatura. Em tempos de livros incendiados, ela os furta, ou os lê na biblioteca do presidente da câmara da cidade.
A vida ao redor é a pseudo-realidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra. Ela assiste à eufórica celebração do aniversário do Führer pela vizinhança. Teme a dona da loja da esquina, colaboradora do Terceiro Reich. Faz amizade com um garoto obrigado a integrar a Juventude Hitlerista. E ajuda o pai a esconder no porão um judeu que escreve livros artesanais para contar a sua parte naquela História. A Morte, perplexa diante da violência humana, dá um tom leve e divertido à narrativa deste duro confronto entre a infância perdida e a crueldade do mundo adulto, um sucesso absoluto - e raro - de crítica e público.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Este mês podes ler...

Crónica dos Bons Malandros do jornalista e escritor português Mário Zambujal, editada em 1980, atingiu um grande êxito editorial e literário, tendo tido umas das suas reedições mais recentes em 2013. Relato do quotidiano dos membros de uma quadrilha fora do comum, que recusava o uso de armas de qualquer espécie, tendo, simbolicamente, como chefe um homem com a alcunha de pacifista, este livro é dividido em nove capítulos que se estruturam do geral para o particular, recorrendo a uma "espécie" de didascálias, para apresentar as personagens e alguns pormenores da ação..
Um livro que continua atual. Talvez, se fosse escrito agora, estes malandros estivessem dotados de equipamentos eletrónicos todos sofisticados. Mas malandros são malandros, seja em que época for.
Descrições dos malandros ao pormenor, desde a infância ao seu encontro e formação da quadrilha. Percursos tristes e desequilibrados, mas que de alguma maneira acabam por nos fazer rir. Assim segue a narrativa até ao desenlace final, quem é afinal o mais malandro de todos?
Sinopse desta edição

“Sinto-me sequestrado por estes bons malandros". Aos livros que fui escrevendo, e outros que venha a escrever, não lhes valem possíveis méritos. Mais de trinta anos depois de saltarem à cena, sem outra pretensão do que fazer sorrir circunstanciais leitores, os bons malandros não arredam pé e ganharam a afeição de gerações sucessivas. Nada mais surpreendente, para quem lhes deu vida, esta longevidade que permite divertir jovens de hoje, tal como acontecera com seus pais e mesmo avós. Aqui se apresenta uma nova (e esmerada) edição de um livro que já galgou pelo cinema e pelo teatro e ameaça novos estrondosos cometimentos. Entretanto, o que o autor ambiciona é o mesmo de sempre: proporcionar prazer de leitura a quem se dispõe à descoberta das singulares aventuras destes bons malandros. Se eles vos divertirem, cumprem o seu destino."

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Este mês podes ler...

Rute Madeira e a sua irmã Filipa conheceram, na adolescência, Tomás Arruda durante umas inesquecíveis férias de Verão em Pedras d’el Rei. As memórias dessas férias perdurariam mesmo depois de Tomás rumar a Londres e se ter transformado num famoso ator de cinema. Quando o realizador Ian Holden vem a Sintra rodar um filme que tem Tomás Arruda como protagonista, Rute Madeira, agora a gerir os negócios da família, decide organizar um jantar de boas-vindas à equipa de filmagem. Um acontecimento social de impacto com uma lista de convidados ilustres e mediáticos e amplamente coberto pela comunicação social. Um jantar perfeito para gente perfeita: jovens, ricos, famosos e felizes. Aparentemente. Por detrás do esplendor e do glamour, pairam ódios e frustrações difíceis de superar. Conseguirá Rute sobreviver a um doloroso segredo das sombras do seu passado? Poderão Tomás e Filipa reprimir a atração que os une? És o Meu Segredo, traz-nos a densidade emocional a que Tiago Rebelo já nos habituou. A vida das personagens, marcada por impasses, encantos e desenganos, apela às insondáveis questões do amor e aos misteriosos enredos da mente. Um romance psicológico que nos prende de início e nos confirma que a vida vale a pena ser vivida apesar das pedras que surgem pelo caminho. 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Este mês podes ler...

Em 1957 Fernando namora publica o romance O Homem Disfarçado, que provoca acesas e opostas reacções, tanto no meio médico como no meio intelectual.
Qual a possibilidade de trocarmos uma pele construída milimetricamente a cada gesto, escolha, omissão? Qual é a verdadeira pele? Até que ponto os movimentos mecânicos, a ganância, as disputas, a mesquinhez e o medo da dor vão minando nossos espaços como seres humanos?
Esses são os conflitos analisados num texto que é uma crítica contundente à banalização da doença nas relações diárias entre médicos, hospitais, pacientes e familiares.
O livro relata momentos da vida de João Eduardo, profissional bem sucedido dentro dos padrões vigentes, mas com a personalidade e os sentimentos pulverizados entre mundos inconciliáveis ou cujo ponto de contato ultrapassa sua capacidade de ação.

Porque o livro também fala da ação como agente transformador. E da incapacidade de agir que marca o nosso quotidiano.
Uma obra em que Fernando Namora revela todas as suas capacidades de verdadeiro romancista para escrever sobre o amor, a morte e os pequenos nadas da vida humana. Por muitos considerada como a obra-prima deste autor. Um brilhante romance psicológico.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Este mês podes ler...


Mia Devlin sabe o que é amar alguém de todo o coração... e depois ver esse alguém partir sem olhar para trás. Há muitos anos atrás, ela e Sam Logan partilharam laços incrivelmente fortes,construídos pela paixão e fortalecidos pela magia. Mas, certo dia, ele fugiu da Ilha das Três Irmãs, deixando-a sozinha e perdida em dolorosas lembranças. Foi então que Mia decidiu que nunca mais ia amar. 
Agora, cansado do mundo e saudoso de casa, Sam regressa à ilha com um único objectivo: reconquistar o amor da sua juventude. Mas o que encontra já não é uma rapariga apaixonada. É uma mulher adulta, independente e magoada. E apesar da química entre eles continuar a ser verdadeira, Mia recusa-se a aceitar que ainda exista amor no seu coração. 
Mas a Ilha das Três Irmãs tem tanto de belo como de sombrio. E para desfazer uma terrível maldição com vários séculos, Mia vai precisar da ajuda de Sam, e aprender que, por vezes, só o amor pode fazer frente às trevas.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Este mês podes ler...


O tema central do livro, embora delicado, é extremamente actual: uma rapariga de 15 anos que se envolve com um homem de 29 anos. A protagonista feminina, Dulce, é uma "Lolita" do século XXI: rapariga adolescente, antes uma criança gordinha, que se reinventa fisicamente mas que altera também o seu interior para se adaptar às pessoas com as quais se cruza. Emocionalmente uma criança, mas com corpo de mulher, utiliza o poder que a sociedade lhe dá para seduzir um homem adulto sem pensar nas consequências. O protagonista masculino, Eddie, não é exactamente o «Lobo Mau», mas veste muito a pele de cordeiro: mais velho, mais experiente, é nitidamente um efebófilo. Sente o medo de ser apanhado em falta e a ilegalidade da situação, mas está viciado na excitação, no perigo e na adoração dela.

Um romance de superior qualidade literária sobre um tema candente, que encara os problemas de frente ao mesmo tempo que foge aos estereótipos.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Este mês podes ler...


Um estudioso descobre casualmente a tradução francesa de um manuscrito do século XIV: o autor é um monge beneditino alemão, Adso de Melk, que narra, já em idade avançada, uma perturbante aventura da sua adolescência, vivida ao lado de um franciscano inglês, Guilherme de Baskerville.
Estamos em 1327. Numa abadia beneditina reúnem-se os teólogos de João XXII e os do Imperador. O objecto da discussão é a pregação dos Franciscanos, que chamam a igreja à pobreza evangélica e, implicitamente, à renúncia ao poder temporal.
Guilherme de Baskerville, tendo chegado com Adso pouco antes das duas delegações, encontra-se subitamente envolvido numa verdadeira história policial. Um monge morreu misteriosamente, mas este é apenas o primeiro dos sete cadáveres que irão transtornar a comunidade durante sete dias. Guilherme recebe o encargo de investigar esses prováveis crimes. O encontro entre os teólogos fracassa, mas não a investigação do nosso Sherlock Holmes da Idade Média, atento decifrador de sinais, que através de uma série de descobertas extraordinárias, conseguirá no final encontrar o culpado nos labirintos da Biblioteca.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Este mês sugerimos o livro...


Os Meus Amores

Volume de contos rústicos, de Trindade Coelho, que conheceu três edições sucessivas em vida do autor e goza ainda hoje de uma grande popularidade, constituindo, de facto, uma obra única da literatura portuguesa. Sobre o realismo das histórias (veja-se a série "Comédia da província"), marcadas pela evocação saudosista da vida rural e imbuídas de reminiscências da infância (o autor chamou-lhes "saudades"), paira quase sempre uma visão idealista da província, impregnada de um moralismo subtil, que distingue Trindade Coelho, por um lado, do Realismo-Naturalismo de Teixeira de Queirós, por outro lado, de outros cultores do conto rústico, como Júlio Dinis, Pedro Ivo ou Rodrigo Paganino, onde o propósito edificante é bem mais evidente. Trata-se quase sempre de enredos simples, que exaltam a genuinidade dos tipos e das paixões rurais, seja o amor inocente que une os protagonistas de "Idílio rústico", seja o amor materno em "Mater dolorosa", seja o remorso pungente de José Gaio em "Vae victoribus!", seja a paixão entre Luísa e Tónio em "Vae victis!" ou entre Manuel e Maria Rosa em "Manuel Maçores", e exploram todas as tonalidades do sentimento, da balada suave ("Idílio rústico", "Maricas") à tragédia intensa ("Última dádiva", "Vae victoribus!", "Manuel Maçores", este baseado num caso de justiça que passou pelas mãos do autor, em Portalegre), da profunda tristeza ("Abyssus abyssum", "Mater dolorosa") à alegre bonomia ("Para a escola", "Luzia"). A terceira parte da colectânea, intitulada "Amorinhos", fixa por escrito quatro narrativas de tradição oral. O estilo do autor caracteriza-se pela naturalidade e pela coloquialidade, incorporando nos diálogos diversos regionalismos e entremeando a narração de interpelações ao leitor: "Façamos de conta que a boca se calou, com efeito. Que não se calou. Mas, neste particular, o resto do diálogo convém que se omita, mesmo porque afinal nem eu nem os senhores queremos mal à mulher do José da Loja" (de "Prelúdios de festa").

Os Meus Amores. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. [Consult. 2013-02-07].

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Este mês podes ler...


Histórias de vidas normais e de gestos quotidianos, num tempo talvez distante, mas com muito de atual. É isso que define os contos que constituem este livro, onde os sonhos e medos do dia-a-dia são o molde para cada vida e cada história.
Visão de pequenas rotinas e grandes tragédias pessoais, este conjunto de contos, alguns impressionantes e nenhum menos que interessante, cativa tanto pelas histórias individuais como pelo reflexo de tempos e costumes que a totalidade dos contos transmite. Uma leitura que, independentemente do anos que passaram desde a sua primeira publicação, continua interessante e actual.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Este mês sugerimos o livro...


Sevilha, 1915 - Vale do Paraíba, 1945: trinta anos da história do século XX correm ao longo das páginas deste romance, com cenário no Alentejo, Espanha e Brasil. Através da saga dos Ribera Flores, proprietários rurais alentejanos, somos transportados para os anos tumultuosos da primeira metade de um século marcado por ditaduras e confrontos sangrentos, onde o caminho que conduz à liberdade parece demasiado estreito e o preço a pagar demasiado alto. Entre o amor comum à terra que os viu nascer e o apelo pelo novo e desconhecido, entre os amores e desamores de uma vida e o confronto de ideias que os separam, dois irmãos seguem percursos diferentes, cada um deles buscando à sua maneira o lugar da coerência e da felicidade.
Rio das Flores resulta de um minucioso e exaustivo trabalho de pesquisa histórica, que serve de pano de fundo a um enredo de amores, paixões, apego à terra e às suas tradições e, simultaneamente, à vontade de mudar a ordem estabelecida das coisas. Três gerações sucedem-se na mesma casa de família, tentando manter imutável o que a terra uniu, no meio da turbulência causada por décadas de paixões e ódios como o mundo nunca havia visto. No final sobrevivem os que não se desviaram do seu caminho.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Este mês sugerimos o livro...


(El otoño del patriarca em castelhano) é um romance do escritor colombiano Gabriel García Márquez, publicado em 1975. Este romance é considerado uma fábula centrada na saudade do poder, cuja ação se desenvolve num país fictício nas margens do Mar das Caraíbas governado por um ditador, um general ancião, que recria o estereótipo das ditaduras da América Latina do século XX, quanto à concentração do poder num militar só. Neste livro García Márquez elabora largos parágrafos sem pontos nem vírgulas entrelaçando pontos de vista narrativos distintos; numa espécie de monólogo múltiplo em que os intervêm vários elementos não identificados. García Márquez ridiculariza as práticas das altas patentes militares com os seus jovens herdeiros (a quem legam o poder), e os gastos assoberbados das suas famílias e compadres. Um retrato bastante realista é traçado da figura do diretor dos serviços secretos, que em pouco tempo controla todos os movimentos do general e constrói um aparelho de terror e repressão política.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Este mês sugerimos o livro...

Livro de viagens de um contador de histórias.

"Este é um livro de viagens, um livro de alguém que, como nos sonhos de infância, teve a sorte de partir tantas vezes com pouco mais que um saco de viagem e uma máquina de filmar ou de fotografar. (...) Nem sempre viajei para sul, mas nada vi de tão extraordinário como o sul. O Sul é uma porta de avião que se abre e um cheiro inebriante a verde que nos suga, o calor, a humidade colada à pele, os risos das pessoas, o ruído, a confusão de um terminal de bagagens, um excesso de tudo que nos engole e arrasta como uma vaga gigantesca. Apetece fechar os olhos, quebrar os gestos e deixar-se ir. Mas é justamente neste caos que eu procuro a lucidez do contador de histórias."
Miguel Sousa Tavares

Neste livro, Miguel Sousa Tavares partilha com os leitores, fotografias e experiências únicas de viagens a São Tomé e Príncipe, Amazónia, Egipto, Goa, Cabo Verde, Alentejo, Alhambra, Marráquexe, Costa do Marfim, Tunísia, Brasil, Veneza, Guadalupe, parque Kruger, em África e o deserto de Sahara.

sábado, 19 de maio de 2012

Este mês sugerimos o livro...


Pilares da Terra 
Do mesmo autor do thriller "A Ameaça", chega-nos o primeiro volume de um arrebatador romance histórico que se revelou ser uma obra-prima aclamada pela comunidade de leitores de vários países que num verdadeiro fenómeno de passa-palavra a catapultaram para a ribalta. Originalmente publicado em 1989, veio para o nosso país em 1995, publicado por outra editora portuguesa, recuperando-o agora a Presença para dar continuidade às obras de Ken Follett. O seu estilo inconfundível de mestre do suspense denota-se no desenrolar desta história épica, tecida por intrigas, aventura e luta política. A trama centra-se no século XII, em Inglaterra, onde um pedreiro persegue o sonho de edificar uma catedral gótica, digna de tocar os céus. Em redor desta ambição soberba, o leitor vai acompanhando um quadro composto por várias personagens, colorido e rico em ação e descrição de um período da Idade Média a que não faltou emotividade, poder, vingança e traição. Conheça o trabalho de um autêntico mestre da palavra naquela que é considerada a sua obra de eleição.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Este mês sugerimos o livro...


A vida de José Branco mudou no dia em que entrou naquela aldeia perdida no coração de África e se deparou com o terrível segredo. O médico tinha ido viver na década de 1960 para Moçambique, onde, confrontado com inúmeros problemas sanitários, teve uma ideia revolucionária: criar o Serviço Médico Aéreo.

No seu pequeno avião, José cruza diariamente um vasto território para levar ajuda aos recantos mais longínquos da província. O seu trabalho depressa atrai as atenções e o médico que chega do céu vestido de branco transforma-se numa lenda no mato.

Chamam-lhe o Anjo Branco.

Mas a guerra colonial rebenta e um dia, no decurso de mais uma missão sanitária, José cruza-se com aquele que se vai tornar o mais aterrador segredo de Portugal no Ultramar.

Inspirado em factos reais e desfilando uma galeria de personagens digna de uma grande produção, O Anjo Branco afirma-se como o mais pujante romance jamais publicado sobre a Guerra Colonial - e, acima de tudo, sobre os últimos anos da presença portuguesa em África.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Este mês sugerimos o livro...


Michael Berg, um adolescente nos anos 60, é iniciado no amor por Hanna Schmitz, uma mulher madura, bela, sensual e autoritária. Ele tem 15 anos, ela 36. Os seus encontros decorrem como um ritual: primeiro banham-se, depois ele lê, ela escuta, e finalmente fazem amor. Este período de felicidade incerta tem um fim abrupto quando Hanna desaparece de repente da vida de Michael.

Michael só a encontrará muitos anos mais tarde, envolvida num processo de acusação a ex-guardas dos campos de concentração nazis. Inicia-se então uma reflexão metódica e dolorosa sobre a legitimidade de uma geração, a braços com a vergonha, julgar a geração anterior, responsável por vários crimes.

O conflito do personagem dá-se em dois momentos, primeiro por ele ainda perceber que ainda ama uma mulher que foi cúmplice de um dos crimes mais bárbaros do século XX. Depois, quando ele nota que há nela um segredo, uma vergonha, pela qual ela prefere ser condenada como assassina em vez de revelar. Berg, estudante de direito, procura saber o que está certo: dizer a todos o que sabe e trair a mulher que ama ou deixar que ela se afunde por algo que não pode ser responsabilizada

Perturbadora meditação sobre os destinos da Alemanha, O Leitor, é desde O Perfume, o romance alemão mais aplaudido nacional e internacionalmente. Já traduzido em 39 línguas, a obra foi adaptada ao cinema e já venceu alguns prémios.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Este mês sugerimos o livro...

"Prefiro esquecer, esquecer-te até se preciso for, para viver como tu vivias, apreciando cada momento - sobretudo os dolorosos, pela lucidez que trazem como bónus - desta tão precária maravilha a que chamamos existência. Tantas vezes te aconselhei as virtudes do silêncio. Queria calar-te para te proteger, sim. Há poucas pessoas apetrechadas para a verdade - mesmo nós, quantas vezes não fechámos à chave umas verdadezitas mais cortantes para não nos magoarmos? Creio que me fazes - schiuuu! - assim, com uma vagar de embalo, sempre que a voz da minha consciência ( seja lá isso o que for) sobe o tom para me acusar pelo que não te dei. Creio sem crer, como um condenado. Afinal de contas, não tenho nada a perder. Mesmo que os anjos não existam, as asas com que te vejo, sentada na beira da minha cama, do cume enlouquecendo da minha insónia, ficam-te melhor do que todas as toilettes. Esforço a imaginação, estendo-a até aos teus dedos, mas não consigo mais do que um ligeiro raçagar de asas. São lençóis que agito, bem sei - mas não me concederás a graça de transformar a fímbria do meu lençol na ponta dos teus dedos?"


Excerto do livro de Inês Pedrosa, Fazes-me Falta

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Este mês sugerimos o livro...

O Homem que Sabia Contar
 de Malba Tahan é um livro interessantíssimo que propõe problemas de Aritmética e Álgebra com a mesma leveza e encanto dos contos das Mil e Uma Noites. É um livro dedicado principalmente a todos os que apreciam problemas e enigmas matemáticos, que faz pensar e convida os seus leitores a resolverem vários enigmas nele propostos. A ação desenrola-se no médio oriente, dando-nos a conhecer a cultura islâmica e refletindo bem o clima filosófico, religioso e social da época. O protagonista é um humilde pastor persa do século XIII, Beremiz Samir, que tem uma facilidade enorme na arte de calcular. É capaz de contar com precisão o número exato de flores num jardim, o número de camelos de uma cáfila, o número de ovelhas de um rebanho, ou até mesmo o número de abelhas de um enxame. Durante a excursão de um jovem senhor, o narrador, Beremiz é descoberto e convencido a ir para Bagdad. Beremiz, é então desafiado a resolver vários problemas e enigmas matemáticos e lógicos complicados, o que faz com um grande rigor e simplicidade matemática. Vamos apresentar um:

 PROBLEMA DOS 35 CAMELOS 
 Três irmãos receberam uma herança de 35 camelos que deveriam ser distribuídos da seguinte forma: o mais velho teria direito a 1/2 dos camelos, o do meio deveria receber 1/3 dos camelos e o mais novo tinha direito a 1/9 dos camelos. Os três irmãos não sabiam como resolver o problema, uma vez que metade de 35 é 17.5, e a terça e a nona parte também não são exatas. Eis a solução apresentada por Beremiz o homem que sabia contar: “É muito simples – atalhou Beremiz. – Encarrego-me de fazer, com justiça, essa divisão, se permitirem que eu junte aos 35 camelos da herança este belo animal que, em boa hora, aqui nos trouxe! ( ) Vou (…) fazer a divisão justa e exata dos camelos que são agora, como vêm, em número, 36. (…) Voltando-se para o mais velho dos irmãos, assim falou: - Deverias receber, meu amigo, a metade de 35, isto é, 17.5. Receberás a metade de 36 e, portanto, 18. Nada tens a reclamar, pois é claro que saíste lucrando com esta divisão! (…) E tu, deverias receber um terço de 35, isto é, 11 e pouco. Vais receber um, terço de 36, isto é, 12. Não poderás protestar, pois também tu saíste com visível lucro na transação. (…) E tu (…) deverias receber a nona parte de 35, isto é 3 e tanto. Vais receber uma nona parte de 36, isto é, 4. O teu lucro foi igualmente notável. (…) Couberam 18 camelos ao primeiro, 12 ao segundo e 4 ao terceiro, o que dá um resultado (18+12+4) de trinta e quatro camelos. Dos trinta e seis camelos, sobram, portanto dois.” (pag.15)

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Este mês sugerimos o livro...

Gaibéus,
que são os jornaleiros do Ribatejo ou da Beira Baixa que vão trabalhar nas lezírias durante as mondas, é o primeiro romance de Alves Redol e inaugura, em 1939, o neo-realismo em Portugal.
Retrata "um povo resignado que luta afincadamente durante o tempo quente, antes da chegada do Inverno, em condições extremas para fazer render os poucos cobres que lhes pagam por tamanha dureza. Por um lado o trabalho árduo de sol a sol, as doenças (malária), a fadiga e a teimosia em cada vez se fazer o trabalho mais rápido para mais rendimento obter, a sede, a fome, a pobreza extrema. Por outro lado, o modo como preenchiam as escassas horas de lazer, os sonhos de uma vida melhor, os projetos sem logro, o vinho para alegrar os espíritos. As mulheres ainda sofrem de outro tipo de exploração, sendo sujeitas aos caprichos do senhor das terras que as escolhe para os seus prazeres carnais."
A obra marca o estilo inaugural de Redol, autor marxista que procura através das palavras denunciar as desigualdades sociais e a exploração do homem pelo homem.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Este mês sugerimos o livro...


Precious Jones, dezasseis anos, corpo de mulher e coração de menina, está à espera do segundo filho. É negra, pobre, obesa, analfabeta e está muito só. Violada pelo pai, que é também o pai dos seus dois filhos, e abusada pela mãe, que encontra sempre novas formas de explorar a filha a vários níveis, Precious perde o seu último vínculo com a realidade ao ser expulsa da escola. Sozinha nas ruas de Harlem - o reino dos sem voz - Precious fica muito próxima do abismo, vencida pela raiva e pelo desespero. Até ao dia em que é admitida numa instituição para crianças desfavorecidas e encontra na sua nova professora o estímulo para não desistir. Pela mão de Blue Rain, Precious descobre a magia das letras que formam palavras e frases, e encontra na leitura e na escrita a porta para o mundo que ela julgara estar definitivamente fechada. A menina de Harlem descobre que tem sentimentos, tem sonhos e, mais importante do que tudo, tem uma voz só sua. Este livro fala por si.