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segunda-feira, 26 de maio de 2014

Conheces o autor do mês...

Afonso Cruz (Figueira da Foz, 1971) é um escritor, realizador de filmes de animação, ilustrador e músico português. Estudou na Escola Secundária Artística António Arroio, nas Belas Artes de Lisboa e no Instituto Superior de Artes Plásticas da Madeira. Vive num monte alentejano perto de Casa Branca, no concelho de Sousel. Vencedor do Prémio da União Europeia de Literatura 2012.
Trabalhou em cinema de animação, em vários filmes e séries tanto de publicidade como de autor, de entre os quais se de
staca a curta-metragem Dois Diários e um Azulejo, baseado na obra do poeta português Mário de Sá Carneiro e realizado em conjunto com Luís Alvoeiro e Jorge Margarido em 2002, que ganhou duas menções honrosas (Cinanima e Famafest) e um prémio do público, e «O Desalmado», um episódio da série Histórias de Molero (2003), uma adaptação de O que diz Molero de Dinis Machado.
Publicou várias ilustrações na imprensa periódica, nomeadamente para a revista Rua Sésamo, em manuais escolares, storyboards e publicidade. Ilustrou cerca de três dezenas de livros para crianças com textos de José Jorge Letria, António Manuel Couto Viana, Alice Vieira e António Mota. entre outros.
Afonso Cruz publicou, até à data, treze livros de ficção: A Carne de Deus, em 2008, um thriller satírico e psicadélico; Enciclopédia da Estória Universal, em 2009, um engenhoso e divertido exercício borgesiano com o qual venceu o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco e Os Livros que Devo­ra­ram o Meu Pai, em 2010, livro infanto-juvenil vencedor do Prémio Literário Maria Rosa Colaço de 2009. A este seguiram-se, também em 2010, A Boneca de Kokoschka - Prémio da União Europeia para a Literatura - e A Contradição Humana, vencedor do Prémio Autores 2011 SPA/RTP, escolhido para a exposição White Ravens 2011, menção especial do Prémio Nacional de Ilustração, Lista de Honra do IBBY (International Board on Books for Young People) e Prémio Ler/Booktailors na categoria Melhor Ilustração Original. Em 2011 publicou o livro O Pintor Debaixo do Lava-Loiças e em 2012 "Enciclopédia da Estória Universal - Recolha de Alexandria" e "Jesus Cristo Bebia Cerveja" Prémio Time Out - Melhor Livro do Ano. Em 2013 saíram os livros "Enciclopédia da Estória Universal - Arquivos de Dresner", "O Livro do Ano", "O Cultivo de Flores de Plástico", "Assim, Mas Sem Ser Assim" e "Para Onde Vão os Guarda-Chuvas". Para além disso, colaborou, na edição portuguesa do Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead de Doenças Excêntricas e Desacreditadas com o ficcional "Síndroma da Culpa Absoluta"; no livro Prazer da Leitura com o conto O Cavaleiro Ainda Persegue/A Mesma Donzela; na novela policial O Caso do Cadáver Esquisito; n' Antologia de Ficção Científica Fantasporto; na antologia de contos de literatura fantástica Volluspa; no livro Histórias Daninhas; no Isto Não É um Conto e "21 Cartas de Amor"; no livro Micro-Enciclopédia; no romance colectivo A Misteriosa Mulher da Ópera. Assina uma crónica mensal no Jornal de Letras, Artes e Ideias sob o título Paralaxe.
Faz parte da banda de blues/roots The Soaked Lamb, com a qual gravou os álbuns Homemade Blues, em 2007, em 2010, Hats and Chairs, e em 2012 "Evergreens", para os quais compôs vários originais, escreveu letras, cantou e tocou guitarra, banjo, harmónica e ukulele.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Conheces o autor do mês...

Markus Zusak nasceu em Sydney, Austrália. A sua mãe, Lisa, é alemã, e o seu pai, Helmut, é austríaco. Eles mudaram-se para a Austrália no final de 1950.
O mais novo de quatro filhos de um austríaco e uma alemã, Markus cresceu ouvindo histórias a respeito da Alemanha Nazi, sobre o bombardeio de Munique e sobre judeus marchando pela pequena cidade alemã da sua mãe. Ele sempre soube que essa era uma história que ele queria contar.
"Nós temos essas imagens das marchas em fila de garotos e dos 'Heil Hitlers' e essa ideia de que todos na Alemanha estavam juntos nisso. Mas ainda havia crianças rebeldes e pessoas que não seguiam as regras e pessoas que esconderam judeus e outras pessoas em suas casas. Então eis outro lado da Alemanha Nazi", disse Zusak numa entrevista.
Zusak é o autor de cinco livros. The Underdog (não publicado em português), o seu primeiro livro, levou sete anos para ser publicado. O mensageiro, publicado em 2002, venceu o prémio de livro do ano no CBC (prémio australiano de livros). Em 2005, aos 30 anos, Zusak já se afirmou como um dos mais inovadores e poéticos romancistas dos dias de hoje. Com a publicação de "A Rapariga que Roubava Livros", ele foi batizado como um "fenómeno literário" por críticos australianos e norte-americanos. Atualmente, já foi traduzido em mais de 30 idiomas. Também recebeu prémios na Austrália e pelo mundo. A rapariga que roubava livros manteve-se no primeiro lugar de vendas no site da Amazon.com, na lista dos mais vendidos do The New York Times, e também em países como o Brasil, Irlanda e Taiwan. Ficou entre os 5 mais vendidos no Reino Unido (UK), Israel, Espanha e Coreia do Sul. Outros países ainda esperam por seu lançamento. O Livro está sendo adaptado para o cinema, com estreia prevista para 2014.

Markus Zusak vive em Sydney com a sua esposa e filha. Gosta de surfar e assistir filmes no seu tempo livre.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Conheces o autor do mês...

Mário Zambujal (1936, - ) autor de ficção, não leva esta atividade muito a sério, apesar dos dificilmente ignoráveis êxitos. Considera, por exemplo, o seu primeiro livro, Crónica dos Bons Malandros, “um trabalho de jornal que por acaso é ficção”. Iniciou-se como jornalista profissional em A Bola, em 1961, e é apresentado como tal que, sem dúvida, melhor se sente. Costuma dizer que a história da sua vida se resume a anotar as etapas dos jornais por onde passou. E foram muitos. Se tinha vinte e cinco anos quando entrou para A Bola, sete anos mais tarde ingressou no Diário de Lisboa, que deixou no ano seguinte (1968), trocando-o pelo Record então dirigido por Artur Agostinho. Em 1970 entra para O Século, onde no 25 de Abril de 1974 era chefe da redação; manteve-se nestas funções de chefia até meados de 75, altura em que assumiu a direção do Mundo Desportivo (“fui-me embora para as Berlengas”, segundo as suas palavras). A convite de Vítor Cunha Rego, transitou para chefe de Redação do Diário de Notícias, após os acontecimentos do 25 de Novembro. O Sete de que foi o primeiro diretor, foi a experiência seguinte, e depois o trabalho na televisão, tendo integrado o quadro da RTP. Incursão muito notada igualmente na rádio, no programa “Pão com Manteiga”. Assume igualmente a coautoria de alguns textos de teatro de revista como “Não Batam Mais no Zézinho”, “Isto É Maria Vitória” OU “Toma Lá Revista”.
Quanto aos seus livros de ficção, “Crónica dos Bons Malandros” (1980), que seria objeto de adaptação cinematográfica, é um percurso trágico-burlesco pelo mundo da marginalidade lisboeta, pela precariedade quotidiana dos vigaristas de pacotilha que sonham com “o grande golpe” que os tire do pequeno submundo anónimo. Em “Histórias do Fim da Rua”, segundo livro de ficção editado três anos mais tarde, Mário Zambujal, entrelaça histórias que têm a ver com a Rua de Trás, em demolição, sacrificada a um “progresso” protagonizado por especuladores imobiliários e, simultaneamente, por um casal – Nídia e Sérgio -, perfis muito característicos de uma perfeita dissolução, tanto no que diz respeito a uma geografia urbana como a uma relação sentimental com dez anos de vida. O seu terceiro livro, publicado outros três anos mais tarde, intitula-se “À Noite Logo se Vê” e retomou o sucesso do primeiro, distanciando-se do relativo silêncio votado ao anterior. Quanto ao argumento, é exposto de rompante, logo na página 4: “ No tempo inteiro de quatro anos, não nasceu nenhuma criança, uma que fosse, menino ou menina, na aldeia do Roseiral” e Mino Miralva, narrador de muitas histórias, começa a investigar.

De resto, o autor continua a considerar-se como um jornalista que escreve para se divertir, com um humor infantil, matreiro, marcado por uma linguagem ágil e cheia de humor genuíno e fresco e uma prosa despretensiosa e criadora de personagens que só por si constituem todo um universo ficcional: “O Cacildo Tavares, sacrificado repórter da velha guarda”, ou o “imparável fura-vidas Jacinto Rebite” são exemplos que fazem do último romance de Mário Zambujal, como disse uma crítica conceituada, “a fantástica recuperação de um risco que andava por aí perdido”.

Fonte: www.portaldaleitura.com

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Conheces o autor do mês...

Tiago Rebelo é um dos romancistas mais brilhantes das letras portuguesas. Na última década manteve uma produção literária constante e os seus livros tornaram-se há muito presença habitual nos lugares cimeiros das principais tabelas de vendas nacionais. Com vários títulos disponíveis em diversos países, desde o Brasil a Angola e Moçambique, foi igualmente editado em Itália e na Argentina. A par da atividade literária, Tiago Rebelo tem já uma longa carreira de jornalista, sendo atualmente editor executivo na TVI, e escrevendo regularmente para a revista do Correio da Manhã.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Conheces o autor do mês...

Fernando Namora (Condeixa-a-Nova, 15 de Abril de 1919 - Lisboa, 31 de Janeiro de 1989) de nome completo Fernando Gonçalves Namora, médico e escritor português, autor de uma extensa obra, das mais divulgadas e traduzidas nos anos 70 e 80.
Licenciado em Medicina (1942) pela Universidade de Coimbra, pertenceu à geração de 40, grupo literário que reuniu personalidades marcantes como Carlos de Oliveira, Mário Dionísio, Joaquim Namorado ou João José Cochofel, moldando-o, certamente, como homem, à semelhança do exercício da profissão médica, primeiro na sua terra natal depois nas regiões da Beira Baixa e Alentejo, em locais como Tinalhas, Monsanto e Pavia, até que, em 1951, acabaria por se instalar em Lisboa - onde, curiosamente, muito jovem estudara no Liceu Camões -, como médico assistente do Instituto Português de Oncologia.
O seu volume de estreia foi Relevos (1937), livro de poesia, porventura sob a influência de Afonso Duarte e do grupo da Presença. Mas já publicara em conjunto com Carlos de Oliveira e Artur Varela, um pequeno livro de contos Cabeças de Barro. Em (1938) surge o seu primeiro romance As Sete Partidas do Mundo que viria a ser galardoado com o Prémio Almeida Garrett no mesmo ano em que recebe o Prémio Mestre António Augusto Gonçalves, de artes plásticas - na categoria de pintura. Ainda estudante e com outros companheiros de geração funda a revista Altitude e envolve-se activamente no projecto do Novo Cancioneiro (1941), colecção poética de 10 volumes que se inicia com o seu livro-poema Terra, assinalando o advento do neo-realismo, tendo esta iniciativa colectiva, nascida nas tertúlias de Coimbra, de João José Cochofel, demarcado esse ponto de viragem na literatura portuguesa. Na mesma linha estética, embora em ficção, é lançada a colecção dos Novos Prosadores (1943), pela Coimbra Editora, reunindo os romances Fogo na Noite Escura, do biografado, Casa na Duna, de Carlos de Oliveira, Onde Tudo Foi Morrendo, de Vergílio Ferreira, Nevoeiro, de Mário Braga ou O Dia Cinzento, de Mário Dionísio, entre outros.
Com uma obra literária que se desenvolve ao longo de cinco décadas é de salientar a sua precoce vocação artística, de feição naturalista e poética, tal como a importância do período de formação em Coimbra, mais as suas tertúlias e movimentos estudantis. Ao dar-se o amadurecimento estético do neo-realismo e coincidente com as vivências dos anos 50, enveredaria por novos caminhos, através de uma interpretação pessoal da narrativa, que o levaria a situar-se entre a ficção e a análise social. Os muitos textos que escreveu, nos diferentes momentos ou fases da vida literária, apresentam retratos com aspectos de picaresco, observações naturalistas e algum existencialismo. Independentemente do enquadramento, Namora foi um escritor dotado de uma profunda capacidade de análise psicológica, inseparável de uma grande sensibilidade e linguagem poética. Escreveu, para além de obras de poesia e romances, contos, memórias e impressões de viagem, com destaque para os cadernos de um escritor, que proporcionam um diálogo vivo com o leitor, a abertura a outras culturas, terras e gentes, a visão de um mundo em transformação, de uma realidade emergente, expressa em Estamos no Vento (Fevereiro de 1974).
Entre os muitos títulos que publica em prosa contam-se Fogo na Noite Escura (1943), Casa da Malta (1945), As Minas de S. Francisco (1946), Retalhos da Vida de um Médico (1949 e 1963), A Noite e a Madrugada (1950), O Trigo e o Joio (1954), O Homem Disfarçado (1957), Cidade Solitária (1959), Domingo à Tarde (1961, Prémio José Lins do Rego), Os Clandestinos (1972), Resposta a Matilde (1980) e O Rio Triste (1982, Prémio Fernando Chinaglia, Prémio Fialho de Almeida e Prémio D. Dinis). Ou, as biografias romanceadas de Deuses e Demónios da Medicina (1952). Além dos títulos já referidos, publicou em poesia Mar de Sargaços (1940), Marketing (1969) e Nome para uma Casa (1984) . Toda a sua produção poética seminal foi reunida numa antologia(1959) denominada As Frias Madrugadas. Escreveu ainda sobre o mundo e a sociedade em geral, na forma de narrativas romanceadas ou de anotações de viagem e reflexões críticas, sendo disso exemplo Diálogo em Setembro (1966), Um Sino na Montanha (1968), Os Adoradores do Sol (1971), Estamos no Vento (1974), A Nave de Pedra (1975), Cavalgada Cinzenta (1977), URSS, Mal Amada, Bem Amada e Sentados na Relva, ambos de (1986). Porém, foram romances como os Retalhos da Vida de um Médico, O Trigo e o Joio, Domingo à Tarde, O Homem Disfarçado ou O Rio Triste, que vieram a ser traduzidos em diversas línguas, tendo inclusive, em 1981, sido proposto para o Prémio Nobel da Literatura, pela Academia das Ciências de Lisboa e pelo PEN Clube.
Sendo talvez uma das suas obras mais conhecidas, Retalhos da Vida de um Médico, foi a primeira a ser adaptada ao cinema, por intermédio do realizador Jorge Brum do Canto (em 1962, filme seleccionado para o Festival de Berlim), seguindo-se a série televisiva, da responsabilidade de Artur Ramos e Jaime Silva (1979-1980).
O Trigo e o Joio foi adaptado para o cinema em 1965, por Manuel Guimarães, com Manuel da Fonseca. Do mesmo realizador, para televisão e em 1969, tem-se Fernando Namora.
Domingo à Tarde (seleccionado para o Festival de Veneza), foi realizado por António de Macedo em 1965 e contou com actores como Isabel de Castro, Ruy de Carvalho e Isabel Ruth.
Em 1975, surge Fernando Namora – Vida e Obra, realizado por Sérgio Ferreira. Também em 1975 Namora colaborou na publicação periódica Jornal do Caso República (1975)

A Noite e a Madrugada, de 1985, deve a sua realização a Artur Ramos. Resposta a Matilde, de 1986, foi adaptado a televisão por Dinis Machado e Artur Ramos', com a participação de Raúl Solnado e Rogério Paulo. Em 1990, regista-se O Rapaz do Tambor, curta metragem de Vítor Silva.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Conheces o autor do mês...

Uma das escritoras mais lidas e prestigiadas do mundo, Nora Roberts nasceu em Silver Spring, Maryland, a mais nova de cinco filhos. Depois de um vida escolar que incluiu algum tempo num colégio católico sob a disciplina das freiras, casou-se cedo e foi viver em Keedysville, Maryland. Trabalhou por algum tempo como secretária. "Eu sabia datilografar depressa mas não sabia escrever bem, fui a pior secretária de sempre", diz Nora agora. Depois de ter tido filhos, ficou em casa e experimentou todas as artes que lhe apareceram. Uma tempestade de neve e vento, em Fevereiro de 1979, obrigou a sua mão a experimentar outras saídas criativas. Estava sobrecarregada com uma criança de três anos e outra de seis, sem o alívio temporário de um jardim da infância em vista, e com uma provisão de chocolate que ia diminuindo. Nascida numa família de leitores, Nora não conheceu tempo algum em que não estivesse a ler e a inventar histórias. Durante a famosa tempestade de neve e vento, pegou num lápis e num caderno de notas e começou a escrever uma dessas histórias. Estava escrito que uma carreira tinha nascido. Depois de muitos manuscritos e rejeições, o seu primeiro livro, Irish Thoroughbred, foi publicado pela Silhouette em 1981.
Escritora metódica e insaciável, Nora já publicou mais de 160 romances, a maior parte no género suspense romântico, traduzidos para 25 idiomas e editados em todo o mundo. Sua alta popularidade como romancista advém do grande talento que possui para sensibilizar o leitor ao escrever narrativas de suspense que também falam sobre turbilhão de emoções que acontecem quando entramos em contato com nossos sentimentos mais profundos, principalmente amor e paixão.
As suas histórias prendem o leitor com temas explícitos e intensos, descritos de forma clara e objetiva, passando uma mensagem curta e rica em detalhes. Os capítulos de seus livros são longos, e poucos, em média apenas 12. As paisagens descritas nos levam a viajar do México aos subúrbios de Washington, com certa suavidade e exatidão que sonhamos acordados, ou temos pesadelos!
Nora conheceu o seu segundo marido, Bruce Wilder, quando o contratou para que lhe fizesse umas prateleiras para livros. Casaram-se em 1985. Desde aí eles expandiram o seu lar, viajaram pelo mundo e abriram uma livraria juntos. Ao longo dos anos, Nora esteve sempre rodeada de homens. Não era apenas a mais nova da família como também era a única menina. Criou dois filhos. O facto de ter passado a vida rodeada de homens deu-lhe uma visão razoavelmente boa do funcionamento da mente masculina, o que é um constante deleite para os seus leitores. Foi, tal como ela é citada por dizer, uma escolha entre decifrar os homens ou fugir dali a gritar. Nora é membro de vários grupos de escritores e ganhou muitos prémios concedidos pelos seus amigos e pela indústria editorial.

Algumas das suas obras mais conhecidas são: Série Mortal, O Amuleto, Trilogia da Gratidão, Segredos, Trilogia do Sonho.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Conheces o autor do mês...


Ana Saldanha nasceu no Porto em 1959, onde se licenciou em Línguas e Literaturas Modernas (variante de Estudos Portugueses e Ingleses) em 1981.
Em 1992 fez o Mestrado em Literatura Inglesa em Birmingham e em 1999 doutorou-se na Universidade de Glasgow com uma tese sobre Rudyard Kipling e a sua obra infantil.
Ensinou Inglês a portugueses do Porto e Português a ingleses de Birmingham e Glasgow.
Ganhou o Prémio Literário Cidade de Almada com o seu romance Círculo Imperfeito e tem-se também dedicado à tradução.
Mas é sobretudo conhecida como uma das melhores escritoras portuguesas para jovens.
Com efeito,  Ana Saldanha é uma das escritoras mais queridas das novas gerações. Nos seus textos, a autora demonstra uma especial habilidade em dar voz aos interesses, ideais e valores dos seus leitores que rapidamente se identificam com as personagens e os universos ficcionais por ela recriados.
Detentora de uma linguagem ágil e de um estilo fluente, a autora recria com particular visualismo e significado afectivo as vivências e o mundo anterior de adolescentes e jovens, estimulando a reflexão e possibilitando o diálogo. Um humor subtil percorre muitas das suas obras que revisitam a tradição e a enriquecem com novos e estimulantes contributos.
Ana Saldanha tem recebido muitos prémios pela qualidade e interesse da temática da sua obra.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Conheces o autor do mês...


Umberto Eco
Escritor e homem de letras italiano, Umberto Eco nasceu a 5 de Janeiro de 1932 em Alessandria (Piemonte). Pouco se sabe sobre as suas origens e a sua infância, salvo que revelou extrema precocidade ao doutorar-se pela Universidade de Turim com apenas vinte e dois anos de idade, em 1954, apresentando para o efeito uma tese consagrada ao pensamento filosófico de São Tomás de Aquino "O Problema Estético em S. Tomás de Aquino".
Entre 1954 e 1959 desempenhou as funções de editor cultural na famosa cadeia de televisão estatal italiana RAI, leccionando também nessa altura nas universidades de Turim, Milão e Florença e no Instituto Politécnico de Milão. Com apenas trinta e nove anos de idade foi nomeado professor catedrático de Semiótica pela Universidade de Bolonha, a mais conceituada do seu país.
Começou a escrever nos finais da década de 50, contribuindo para diversas publicações periódicas com uma série de artigos que seriam reunidos em volumes como "Diario Minimo" (1963, Diário Mínimo), "Il Costume di Casa" (1973), "Dalla Periferia Dell'Impero" (1977) e "Il Secondo Diario Minimo" (1992). O seu início de actividade ficou também marcado por obras como "Opera Aperta" (1962) e "Apocalittici E Integrati" (1964, Apocalípticos e Integrados).
Mantendo uma carreira editorial bastante completa e activa, Eco não deixou de publicar estudos académicos sobre Estética, Semiótica e Filosofia, dos quais se podem destacar "La Definizione Dell'Arte" (1968), "Le Forme Del Contenuto" (1971), "Trattato Di Semiotica Generale" (1976), "Come Si Fa Una Tesi Di Laurea" (Como Fazer Uma Tese de Doutoramento, 1977) e "Arte E Bellezza Nell'Estetica Medievale" (1986), obra que lhe valeu vários e conceituados prémios literários. Em 1980 publicou o seu primeiro romance, "Il Nome Della Rosa" (O Nome da Rosa), obra que foi imediatamente considerada como um clássico da literatura mundial. Contando as andanças de um monge do século XIV que é chamado a uma abadia beneditina para solucionar um crime, Eco restabelecia a velha contenda entre o mundo material e o espiritual.
A obra foi adaptada com sucesso para o cinema em 1986, pela mão do realizador Jean-Jacques Annaud.
Bastante popular, sobretudo nos meios mais eruditos foi o seu segundo romance, "Il Pendolo Di Foucault" (1988, O pêndulo de Foucault), em que Eco contrapunha o hermetismo e a cosmologia aos potenciais da informática e aos perigos do crime organizado.
O público acolheu com mais modéstia "L'Isola Del Giorno Prima" (1995, A Ilha do Dia Antes), romance em que Roberto della Griva, um aristocrata do século XVII, desperta numa embarcação à deriva no Pacífico Sul, e "Baudolino" (2000, Baudolino), obra também pertencente ao género do romance histórico.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Conheces o autor do mês...

A sua obra reflete a infância passada em Trás-os-Montes, num ambiente tradicionalista que ele fielmente retrata, embora sem intuitos moralizantes. O seu estilo natural, a simplicidade e candura de alguns dos seus personagens, fazem de Trindade Coelho um dos mestres do conto rústico português. Dedicou-se a uma intensa actividade pedagógica, na senda de João de Deus, tentando elucidar o cidadão português para a democracia. De seu nome completo José Francisco Trindade Coelho, nasceu em Mogadouro, em 18.6.1861. Aí fez os primeiros estudos, nomeadamente na área de Latim, com o apoio de dois padres.  Daqui seguiu para o Porto, onde fez em colégio, os estudos secundários.  A terceira etapa era Coimbra, onde concluiu o curso de Direito.  Embora os pais fossem ricos (a Mãe morreu ainda ele era jovem) a verdade é que ele chumbou no 1.' ano do curso de Coimbra e o Pai cortou-lhe a mesada, pelo que Trindade Coelho teve que arranjar forma de ultrapassar as dificuldades.  Começou a dar explicações e a escrever em jornais.  Entretanto casou e apareceu um filho, facto que mais complicou a sua vida, enquanto estudante.  Chegou a ter um esgotamento.  E ele próprio escreveria do ambiente Coimbrão: "aquela vida em que estive metido e que nunca se deu comigo nem eu com ela, mas em que nunca me dei razão porque lha atribuía a ela e a mim uma inferioridade que mais pesava por ser sincera".  Nesse período escrevia nos jornais com o pseudónimo de Belistírio.  Também fundou, nessa época, duas publicações: Porta Férrea e Panorama Contemporâneo.  Após a conclusão do curso permaneceu em Coimbra, como advogado.  Mas a clientela era pouca e ele enveredou pela carreira administrativa.  Ingressa na magistratura e é colocado como Delegado do Procurador Régio, na comarca de Sabugal.  Sabe-se que para obter esse lugar, foi precisa a «cunha» de Camilo Castelo Branco, que admirava, literariamente Trindade Coelho.  Sabe-se que valeu a pena porque foi Trindade Coelho um magistrado de elevadíssima craveira moral.  Foi depois transferido para a comarca de Portalegre.  Aí fundou dois jornais: Gazeta de Portalegre e Comércio de Portalegre.  Entretanto granjeara fama e os políticos da época quiseram fazer dele um deputado.  Como não podia candidatar-se pelo círculo onde trabalhava, foi transferido para Ovar.  A última etapa profissional foi Lisboa, onde não teve tarefa fácil por causa do Ultimato Inglês, durante o qual ele teve que fiscalizar a imprensa da capital.  Desgostado com as críticas que lhe faziam transferiu-se para Sintra, em 1895.  Chegou a ir a África (Cabo Verde) defender 33 presos políticos.  Ao fim de 3 meses regressou vitorioso, porque conseguiu libertar os presos, prendendo os acusadores.  Continuou a escrever nos jornais: Portugal, Novidades, Repórter e fundou a Revista Nova, onde publicou os Folhetos para o Povo.  Era um homem inconformado.  Nem a fama de magistrado, nem o prestígio de escritor, nem a felicidade conjugal conseguiam fazer de Trindade Coelho um cidadão feliz. À medida em que avançava no tempo mais se desgostava com a vida, pelo que o desespero o levou ao suicídio em 9.6.1908. Deixou uma obra variada e profunda, distribuída por quatro vertentes.  Jornalismo, carácter jurídico, intervenção cívica e literária.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Conheces o autor do mês...


Mário Dionísio (1919- 1993)
Poeta, ensaísta, ficionista, romancista, artista plástico e crítico de arte, licenciou-se em Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa, onde viria a desenvolver atividade docente. Teve um papel importante no neo-realismo português sendo um dos principais promotores e teorizadores desta corrente. A sua poesia foi-se progressivamente afastando do neo-realismo, uma vez que o autor evoluiu com o tempo e as mudanças estéticas, políticas e sociais.
Interveio em diversas conferências, debates, além de ter colaborado em publicações periódicas como a Seara Nova, Vértice ou Diário de Lisboa e foi também tradutor.
Prefaciou diversos autores como Manuel da Fonseca, Carlos de Oliveira e José Cardoso Pires e Alves Redol.
 Enquanto pintor, usou os pseudónimos de Leandro Gil e José Alfredo Chaves. Participou em diversas exposições coletivas, tendo em 1989 realizado a sua primeira exposição dedicada em exclusivo à sua pintura.

Poemas e Ficção
•             Poemas (1941)
•             O Dia Cinzento (1944)
•             As Solicitações e Emboscadas (1945)
•             O Riso Dissonante (1950)
•             Memória dum Pintor Desconhecido (1965)
•             Poesia Incompleta (1966, onde reuniu toda a obra publicada até então)
•             Le Feu qui Dort (1967)
•             Não Há Morte Nem Princípio (1969)
•             Terceira Idade (1982)
•             Monólogo a Duas Vozes (1986)
•             [Autobiografia](1987) 
•             A Morte É para os Outros (1988)

Obras sobre pintura
•             Vincent Van Gogh (1947)
•             Conflito e Unidade da Arte Contemporânea (1958)
•             A Paleta e o Mundo (1956, publicada depois em 5 volumes.) 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Conheces o autor do mês...


valter hugo mãe é o nome artístico do escritor Valter Hugo Lemos (Henrique de Carvalho, Angola, 25 de Setembro de 1971). Além de escritor é editor, artista plástico e cantor angolano.
Passou a infância em Paços de Ferreira e em 1980 mudou-se para Vila do Conde. Licenciou-se em Direito e fez uma pós-graduação em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea.
valter hugo mãe escreve-se mesmo com letras minúsculas. Assim como todos os seus romances. A liberdade formal é um dos pontos de honra do vencedor do Prémio Saramago de 2007 e uma das razões por ter sido apelidado de "tsunami" - "não no sentido destrutivo, mas da força" - por José Saramago.
valter hugo mãe tem uma explicação muito simples. "Sempre gostei da limpeza das minúsculas. Arrancando as maiúsculas do início das frases, as pessoas aceleram a leitura, ficam um pouco sem travões e chega-se mais depressa ao fim. Isso está em concordância com a nossa atitude. Não falamos com maiúsculas, aspas ou travessões".
valter hugo mãe confessa que enquanto escreve se fecha em semiclausura e o que lhe vale é a fast food. "Tenho a despensa cheia de latas de atum, salsichas e aquelas sopas em pacote. Toda essa parafernália de comida para solteiro. Desenvolvo até algumas dependências, como a de sopas de supermercado. Gosto de as comer e recordar os bons tempos da escrita do livro." Nessa altura, valter hugo mãe é capaz de acordar às sete e de se deitar às quatro da manhã. Pelo meio só há tempo para comer e ir à casa de banho.
O seu último romance "a máquina de fazer espanhóis" não foi excepção. O autor já tinha definido o tom do livro. Sabia que queria falar da terceira idade e da iminência da morte. Tinha a personagem principal, António Silva, bem definida na sua cabeça. Sabia que ia escrever na primeira pessoa e que ia dedicar o livro ao pai. "Foi uma maneira de substituir o que o meu pai não teve. Ele morreu antes de ser velho. Senti que podia aproximar-me da sua memória e ficcionar uma terceira idade que ele não viveu."
Com  “a máquina de fazer espanhóis”, valter Hugo mãe foi o grande vencedor da 10.ª edição do Prémio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa. O escritor recebeu numa cerimónia que decorreu no Auditório Ibirapuera, em S. Paulo, no Brasil, o prémio na categoria de melhor romance e também foi o vencedor do Grande Prémio Portugal Telecom 2012.
O escritor, licenciado em Direito, fugia da escola porque tinha medo de levar uma coça da professora. O irmão avisou-o de que isso ia acontecer. Foi preciso a mãe explicar-lhe que precisava de ir à escola para "aprender a guardar as coisas que tinha na cabeça". Apaixonou-se pelas letras. Passava a vida a perguntar: "Que palavra é essa?" Começou por escrever poesia, sempre às escondidas, e nunca esqueceu o primeiro livro, que comprou, aos 10 anos, por conta própria: "Mistério da Mansão Assombrada", de Hitchcock. "A partir daí arranjei maneira de ler mais livros." Ainda assim, não se achava homem da prosa. "Li muitos autores chatos." O primeiro romance surgiu porque não lhe apetecia estudar e tinha uma frase que não lhe saía da cabeça: "Era o homem mais triste do mundo." Foi o início de "nosso reino" e desde então nunca mais abandonou os romances.
Para além da escrita tem-se dedicado ao desenho, com uma primeira exposição individual inaugurada em Maio de 2007, no Porto, e à música, tendo-se estreado como voz do grupo O Governo em Janeiro de 2008, no Teatro do Campo Alegre, no Porto.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Valter_hugo_m%C3%A3e
http://www1.ionline.pt/conteudo/43297-valter-hugo-mae-o-escritor-que-nos-poe-ler-sem-travoes

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Conheces o autor do mês...

Jorge Cândido de Sena nasceu em 1919, em Lisboa. Depois de concluir os estudos liceais, ingressou na Escola Naval, vindo a formar se em Engenharia Civil na Universidade do Porto. Ainda durante os estudos universitários, publicou sob o pseudónimo Teles de Abreu, as suas primeiras composições poéticas em periódicos e foi nessa altura que travou conhecimento com José Blanc de Portugal, Ruy Cinatti, Alberto Serpa e Casais Monteiro, entre outros.
Em 1942, foi publicada a sua primeira obra poética: "Peregrinação". Ainda durante os anos 40, colaborou com "Aventura", "Litoral", "Portucale", "Seara Nova", e "Diário Popular", iniciando a sua atividade literária como tradutor de poesia . A partir de meados dos anos 40, intensificou a sua atividade de conferencista, proferindo comunicações que incidiam frequentemente sobre dois dos seus temas preferidos: Camões e Fernando Pessoa. Durante os anos 50, afirmou se como uma das presenças mais influentes e complexas da cultura e literatura portuguesas; e foi durante essa década que publicou algumas das suas mais conhecidas obras poéticas ("Metamorfoses", "Evidências", "Fidelidades"); que publicou a sua primeira tentativa dramática, a tragédia "O Indesejado"; que colaborou com publicações como a "Gazeta Musical e de Todas as Artes", "Árvore", "Notícias do Bloqueio", "Cadernos do Meio Dia"; e que organizou a terceira série da antologia "Líricas Portuguesas". A sua postura contra a ditadura fascista levou-o em 1959, após o envolvimento numa tentativa falhada de golpe de Estado militar contra o regime salazarista, a optar por um exílio voluntário no Brasil, onde exerceu funções de docência nos domínios da Literatura Portuguesa e da Teoria da Literatura. Publicou então, uma série de obras ensaísticas como "Da Poesia Portuguesa" e desenvolveu uma intensa atividade como congressista, não deixando ainda de participar em ações de denúncia da ditadura a partir do exterior. Em 1960 publicou o seu primeiro livro de ficção, a coletânea de contos "Andanças do Demónio". No ano seguinte publicou o primeiro volume da sua obra poética completa. Face aos obstáculos que sistematicamente eram levantados à sua progressão na carreira académica, em 1965 transferiu se para a Universidade do Wisconsin, nos Estados Unidos da América, onde seria nomeado professor catedrático de Literatura Portuguesa e Brasileira. Em 1970 transferiu se para a Universidade de Califórnia. Entretanto, participou em inúmeros congressos internacionais; tornou se membro da Modern Languages Association e da Renaissance Society of America, nunca interrompendo a edição, quer de títulos de teoria e história literária e estudos literários clássicos, modernos e contemporâneos, quer a obra poética pessoal, publicando os livros de poesia "Arte de Música" e "Peregrinatio ad Loca Infecta". Após o 25 de Abril, recebeu várias homenagens públicas em Portugal, tendo sido condecorado com a Ordem do Infante D. Henrique e, a título póstumo, com a Grã Cruz da Ordem de Santiago e Espada. No ano da sua morte, em 1978, vieram a público, revistos pelo autor, os volumes "Poesia II" e "Poesia III", a que se seguiriam, postumamente, os volumes "40 Anos de Servidão" e "Post Scriptum II".


terça-feira, 16 de outubro de 2012

Conheces o autor do mês...


Luis Sepúlveda
Escritor chileno mais reconhecido no estrangeiro do que na sua terra natal. Através da publicação do seu romance “Un viejo que leía novelas de amor “ (1992) converteu-se num dos escritores latino-americanos más lidos em todo el mundo.
Desde jovem realizou numerosas viagens, de Punta Arenas a Oslo e de Barcelona a Quito. Visitou também a selva amazónica e o deserto do Sahara. Politicamente comprometido, sofreu na prisão durante a ditadura de Pinochet e posteriormente abandonou o país. O exílio o levou à Europa, onde foi publicando a maioria dos seus romances e relatos, sem mostrar um especial desejo de regressar ao seu país, o que lhe valeu diversas críticas durante algum tempo. Da mesma forma Isabel Allende, a sua obra literária não foi valorizada em consonância com o seu êxito de vendas.
Do seu ideário político e social destaca-se a sua preocupação pelo desequilíbrio do planeta e portanto pela humanidade. Pese embora o seu compromisso político, a sua obra oferece elementos menos comprometedores, mais cosmopolitas, ainda que contenha certos rasgos de moral e de alento profético. Sepúlveda se mostra admirador de Júlio Verne y de Joseph Conrad, assim como dos chilenos Manuel Rojas, Pablo de Rokha y Carlos Droguett. Com uma linguagem direta, de rápida leitura, carregada de anedotas, os seus livros denunciam o desastre ecológico que afeta o mundo e criticam o comportamento humano egoísta, mas também mostram e exaltam as mais maravilhosas manifestações da natureza.
A obra que o deu a conhecer, “Un viejo que leía novelas de amor” (1992), é uma história repleta de aventuras que se passam na selva equatoriana, no mundo dos índios shuar o jíbaros; o livro mereceu os prémios Juan Chabás de romance curto y Tigre Juan.
Se seguiram “Mundo del fin del mundo” (1994), sobre a criminosa caça de baleias praticada por empresas japonesas; “Nombre de torero” (1994), a sua primeira novela negra; “Patagonia Express” (1995), un livro de viagens; o conto “Una gaviota y del gato que le enseñó a volar” (1996), pensado para os seus filhos e cujo conteúdo ecológico está muito bem exposto, e finalmente o livro de relatos “Desencuentros “ (1997) y o mais recente “Diário de um Killer sentimental” (1998), através do qual parece, segundo algumas interpretações, que o autor abre a sua obra a novos caminhos.
Entre los últimos títulos da sua produção encontram-se “Historias marginales” (2000), Hot line (2002), romance negro protagonizada por um detetive mapuche,  “Los peores cuentos de los hermanos Grim” (2004), escrito em colaboração com Mario Delgado Aparaín, y “La sombra de lo que fuimos” (premio Primavera 2009). Muitas das suas obras encontram-se traduzidas na nossa língua.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Conheces o autor do mês...


José Régio pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira, (Vila do Conde, 17 de Setembro de 1901 — Vila do Conde, 22 de Dezembro de 1969) foi um escritor português que viveu grande parte da sua vida na cidade de Portalegre (de 1928 a 1967). Foi possivelmente o único escritor em língua portuguesa a dominar com igual mestria todos os géneros literários: poeta, dramaturgo, romancista, novelista, contista, ensaísta, cronista, jornalista, crítico, autor de diário, memorialista, epistológrafo e historiador da literatura, para além de editor e diretor da influente revista literária Presença, desenhador, pintor, e grande colecionador de arte sacra e popular. Foi irmão do poeta, pintor e engenheiro Júlio Maria dos Reis Pereira.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Conheces o autor do mês...


José António Afonso Rodrigues dos Santos (Beira, Moçambique, 1 de Abril de 1964) é um jornalista e escritor português nascido na antiga colónia portuguesa de Moçambique. Atualmente, está a apresentar o Telejornal e a versão portuguesa do Conexão Repórter da RTP1.
Natural da província de Sofala, Cidade da Beira, na antiga colónia de Moçambique do Império Português, filho de José da Paz Brandão Rodrigues dos Santos (Penafiel, 13 de Outubro de 1930 - Janeiro de 1986), médico, e de sua mulher Maria Manuela de Campos Afonso Matos, e mudou-se ainda bebé para a cidade de Tete onde permaneceu até aos nove anos, convivendo com a Guerra Colonial. Tal como a esmagadora maioria dos portugueses, alguns dos seus antepassados estiveram envolvidos na Primeira Guerra Mundial, na Flandres e na Guerra Colonial em África, sendo que o seu segundo romance, intitulado "A Filha do Capitão" é assumido como um tributo que lhes é prestado.
Após a separação dos seus pais, vai para Lisboa onde vive com a mãe. No entanto, as dificuldades económicas da mãe levam-no a mudar-se para a residência do pai, em Penafiel, no norte de Portugal. A difícil adaptação do pai a terras lusas motivou a partida para Macau. Já no oriente, participa na elaboração de um jornal escolar, que desperta o interesse dos responsáveis da rádio local e leva o jovem estudante a ser entrevistado por uma jornalista que acabara de chegar a Macau: Judite de Sousa, hoje outra bem conhecida jornalista portuguesa, atual funcionária da TVI. Em 1981, aos 17 anos, o jovem José Rodrigues dos Santos inicia-se verdadeiramente no Jornalismo, ao serviço da Rádio Macau.
Em 1983, regressa a Portugal para frequentar o curso de Comunicação Social da Universidade Nova de Lisboa. Terminado o curso, candidata-se a um estágio na BBC, (British Broadcasting Corporation), a bem conhecida emissora britânica de televisão. A resposta é positiva mas não lhe é concedido qualquer financiamento. Aplica então a herança do pai, entretanto falecido, em três meses de experiência profissional em Inglaterra.
Regressa a Portugal, onde obtém duas distinções: o Prémio Ensaio do Clube Português de Imprensa, em 1986 e o Prémio de Mérito Académico do American Club of Lisbon, em 1987. Devido a essas credenciais é convidado pela BBC World Service para trabalhar em Londres, onde fica durante três anos, até 1990.
Da BBC seguiu para a RTP, onde começou a apresentar o noticiário "24 Horas". Em 16 de Janeiro de 1991, as forças coligadas de 28 países liderados pelos Estados Unidos da América dão início ao bombardeio aéreo de Bagdad, no Iraque, dando início à Primeira Guerra do Golfo. José Rodrigues dos Santos protagoniza então uma maratona televisiva de cerca de 10 horas, sobre o ataque americano ao Iraque, acabando posteriormente por se tornar o rosto mais conhecido da televisão pública.
Em 1991 passou para a apresentação do diário "Telejornal", o principal jornal diário da televisão portuguesa, no ar já por quarenta anos, e tornou-se colaborador permanente da CNN (Cable News Network), a cadeia norte americana de informação em contínuo, de 1993 a 2002. Hoje continua a apresentar o Telejornal, em conjunto com João Adelino Faria e Carlos Daniel.
Doutorado em Ciências da Comunicação, com uma tese sobre reportagem de guerra, é professor da Universidade Nova de Lisboa e jornalista da RTP, ocupando por duas vezes o cargo de Diretor de Informação da televisão pública portuguesa. É um dos mais premiados jornalistas portugueses, tendo sido galardoado, além dos prémios já referidos, com o Grande Prémio de Jornalismo, em 1994, atribuído pelo Clube Português de Imprensa. Internacionalmente, venceu três prémios da CNN: o Best News Breaking Story of the Year, em 1994, pela história "Huambo Battle" relacionada com a Guerra de Angola; o Best News Story of the Year for the Sunday, em 1998, pela reportagem "Albania Bunkers"; e o Contributor Achievement Award, em 2000, pelo conjunto do seu trabalho, aquele que é considerado o Pullitzer do jornalismo televisivo.
José Rodrigues dos Santos é hoje um dos jornalistas mais influentes para as novas gerações e no panorama informativo nacional. No entanto, além da sua mais conhecida faceta como jornalista, José Rodrigues dos Santos é também um ensaísta e romancista. Especialmente nesta última vertente, tornou-se dos escritores portugueses contemporâneos a alcançar maior número de edições com livros que venderam mais de cem mil exemplares cada. Até ao final de 2007 publicou quatro ensaios e cinco romances. O romance de estreia, intitulado "A Ilha das Trevas" foi reeditado pela Gradiva, em 2007, atual editora do autor.
Em 2005, José Rodrigues dos Santos estabeleceu um acordo com uma das principais editoras a operar nos Estados Unidos da América, a Harper Collins, com o objetivo de lançar naquele país a obra "O Codex 632". O livro foi apresentado na Book Fair America de 2007 como um dos principais lançamentos daquela editora, estando agendada a sua publicação para o dia 1 de Abril de 2008 sob a chancela da William Murrow, um dos principais selos do grupo. O livro estará à venda na Barnes & Noble e na Borders, as duas principais livrarias dos EUA. Entretanto, outro acordo foi obtido pelo autor e e pela Gradiva com o Gotham Group, uma empresa de Los Angeles ligada às principais produtoras de Hollywood, tal como a Paramount, Twentieth Century Fox ou a Universal Studios, com o objetivo de adaptar "O Codex 632" ao cinema. A acontecer, José Rodrigues dos Santos será o segundo autor português, a seguir a José Saramago com "Ensaio sobre a Cegueira", a ver uma obra ser transposta para o cinema pelos estúdios de Hollywood.
Conforme é descrito no site da RTP, José Rodrigues dos Santos é um homem que perante os sérios problemas de um mundo em constantes convulsões não perde o sentido de humor, sendo-lhe atribuída a frase irónica: "Ainda não percebo porque é que o meu boneco do Contra Informação tem as orelhas tão grandes…"

sexta-feira, 16 de março de 2012

Conheces o autor do mês...


Florbela Espanca
Florbela de Alma da Conceição nasceu a 8 de dezembro de 1894, em Vila Viçosa. A sua mãe chamava-se Antónia da Conceição Lobo e morreu algum tempo depois. Foi batizada como filha de pai incógnito. Teve uma infância sem falta de carinhos e a sua subsistência não foi ensombrada por insuficiências, que atingiam muitas das crianças que nasciam em circunstâncias semelhantes.
Mais tarde, descobriu quem era o seu pai e este não a deixou desamparada. Foi dele, João Maria, que recebeu o apelido de Espanca.
Ingressou no liceu de Évora. Num tempo em que poucas raparigas frequentavam estudos, e bonita como era, apesar de umas tantas vezes afirmar o contrário, punha à roda a cabeça dos colegas.
Florbela escreveu os seus primeiros poemas ainda na primária, naturalmente infantis, mas avançados em relação à idade. De algum modo, prenunciavam o que viria depois.
Esta precocidade contrastava com algum desajustamento futuro, quando a sua escrita divergia dos conceitos de poesia dos grupos do "Orfeu", "Presença" e outras tendências do designado "Modernismo", e que emergiam como as grandes referências literárias da época, das quais Florbela pareceria afastada.
Inicialmente não viveu com dificuldades económicas. Explicadora, trabalhou ensinando francês, inglês e outras matérias. Mais tarde, com vinte dois anos, estudou Direito na Universidade de Lisboa.
Publicou vários poemas em jornais e revistas não propriamente dedicados à poesia, como Noticias de Évora e O Século ou de circulação local.
Editou os seus primeiros livros, Livro de Mágoas em 1919, e em 1923 Livro de Soror Saudade, onde incluiu grande parte da produção anterior.
O Alentejo, locais ligados às suas origens e a Pátria foram referências em muitos dos seus poemas. Mas a sua escrita situou-se sobretudo no campo da paixão humana.
Casou-se três vezes. Do primeiro marido, Alberto Moutinho, usou o apelido em alguns escritos, nomeadamente correspondência. Do terceiro marido, Mário Lage, juntou o apelido à sua assinatura usual, nas traduções que efetuou. Do segundo, António Guimarães, não parece ter havido reminiscências explícitas nos escritos de Florbela.
No último ano de vida elaborou um "Diário", onde deixou anotações até escassos dias antes do trágico fim.
A morte, anunciada ao longo da sua escrita, ocorreu quando pôs fim à vida a 8 de dezembro de 1930, dia em que fez 36 anos, em Matosinhos, onde vivia. Aí foi enterrada, sendo mais tarde transladada para a sua terra natal.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Conheces o autor do mês?


Jorge Leal Amado de Faria (Itabuna, 10 de agosto de 1912 — Salvador, 6 de agosto de 2001) foi um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros de todos os tempos.
Ele é o autor mais adaptado da televisão brasileira, verdadeiros sucessos como Tieta do Agreste, Gabriela, Cravo e Canela e Teresa Batista Cansada de Guerra são criações suas, além de Dona Flor e Seus Dois Maridos e Tenda dos Milagres. A obra literária de Jorge Amado conheceu inúmeras adaptações para o cinema, teatro e televisão, além de ter sido tema de escolas de samba por todo o Brasil. Os seus livros foram traduzidos em 55 países, em 49 idiomas, existindo também exemplares em braille e em fitas gravadas para cegos.
Em 1994 viu a sua obra ser reconhecida com o Prémio Camões, o Nobel da língua portuguesa.
No ano seguinte ao do seu nascimento, uma praga de varíola obriga a família a deixar a fazenda e a se estabelecer em Ilhéus, onde viveu a maior parte da infância, o que lhe serviu de inspiração para vários romances. Foi para o Rio de Janeiro, então capital da república, para estudar na Faculdade de Direito da então Universidade do Rio de Janeiro, atual Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Durante a década de 1930, a faculdade era um polo de discussões políticas e de arte, tendo ali travado seus primeiros contatos com o movimento comunista organizado.
Foi jornalista, e envolveu-se com a política ideológica, tornando-se comunista, como muitos de sua geração. São temas constantes em suas obras os problemas e injustiças sociais, o folclore, a política, crenças e tradições, e a sensualidade do povo brasileiro, contribuindo assim para a divulgação deste aspeto do mesmo. As suas obras são umas das mais significativas da moderna ficção brasileira, com 49 livros, propondo uma literatura voltada para as raízes nacionais. Em 1945, foi eleito deputado federal pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), o que lhe rendeu fortes pressões políticas. Como deputado, foi o autor da emenda que garantiu a liberdade religiosa, viu o sofrimento dos que seguiam os cultos vindos da bela África, no Ceará viu protestantes saqueados por fanáticos com uma cruz à frente, então correu atrás de assinaturas até conseguir a aprovação da sua emenda, e desde então a liberdade religiosa tornou-se lei. Também foi autor da emenda que garantia direitos autorais. Foi casado com Zélia Gattai, também escritora, que o sucedeu na Academia Brasileira de Letras. Teve três filhos: João Jorge, sociólogo, Paloma, e Eulália.
Viveu exilado na Argentina e no Uruguai (1941 a 1942), em Paris (1948 a 1950) e em Praga (1951 a 1952). Escritor profissional, viveu exclusivamente dos direitos autorais dos seus livros. Recebeu no estrangeiro os seguintes prémios: Prêmio Lenine da Paz (Moscou, 1951); Prêmio de Latinidade (Paris, 1971); Prémio do Instituto Ítalo-Latino-Americano (Roma, 1976); Prémio Risit d'Aur (Udine, Itália, 1984); Prémio Moinho, Itália (1984); Prêmio Dimitrof de Literatura, Sofia — Bulgária (1986); Prémio Pablo Neruda, Associação de Escritores Soviéticos, Moscou (1989); Prémio Mundial Cino Del Duca da Fundação Simone e Cino Del Duca (1990); e Prémio Camões (1995).
No Brasil: Prémio Nacional de Romance do Instituto Nacional do Livro (1959); Prémio Graça Aranha (1959); Prêmio Paula Brito (1959); Prémio Jabuti (1959 e 1995); Prémio Luísa Cláudio de Sousa, do Pen Club do Brasil (1959); Prémio Carmen Dolores Barbosa (1959); Troféu Intelectual do Ano (1970); Prémio Fernando Chinaglia, Rio de Janeiro (1982); Prémio Nestlé de Literatura, São Paulo (1982); Prémio Brasília de Literatura — Conjunto de obras (1982); Prémio Moinho Santista de Literatura (1984); Prémio BNB de Literatura (1985).

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Conheces o autor do mês?


Gabriel García Márquez
(Aracataca, 6 de março de 1928) é um escritor, jornalista, editor, ativista e político colombiano.
Recebeu o Nobel de Literatura de 1982 pelo conjunto de toda a sua obra, que entre outros livros inclui o aclamado “Cem Anos de Solidão”. Foi responsável por criar o realismo mágico na literatura latino-americana. Viajou muito pela Europa e vive atualmente em Cuba. Em 1 de abril de 2009 declarou que se aposentou e não pretende escrever mais livros.

Gabriel García Marquez e o Realismo Mágico Latino-Americano
João de Melo

Mais lido e estimado do que todos os escritores latino-americanos do seu escol e da sua geração, Gabriel García Marquez, hoje tão universal como os maiores mestres do romance moderno está entre os nomes gloriosos de toda a literatura e é uma das maiores figuras literárias do século.
A literatura latino-americana conheceu um processo de expansão e reconhecimento internacional que é um dos fenómenos mais interessantes da segunda metade do século XX. Gabriel Garcia Marquez encontra-se no centro deste verdadeiro "boom", que constituiu afinal uma nova vanguarda literária, exterior ao eixo parisiense tradicional. Teve porém, como todos os autores latino-americanos da sua geração, de passar pela aprovação da crítica europeia, nomeadamente a francesa, apesar da enorme popularidade que adquirira entre os leitores.
O segredo do que foi denominado "realismo fantástico", ou também "realismo mágico" reside, segundo João de Melo, na descoberta de uma prática ficcional "simples e simultaneamente deslumbrada, recorrendo aos grandes temas sociais, sem dúvida, mas envolvendo as realidades descritas numa auréola de sonhos, crenças e rituais lendários que bem podem estar na origem de uma nova mitologia literária."
A atribuição do Prémio Nobel da Literatura a Gabriel García Marquez em 1982, representou não apenas a sua consagração internacional como também a de toda a literatura americana em língua castelhana, tendo estado na origem do reacender da polémica entre os defensores de Marquez e os incondicionáveis de Borges. Esta discussão, nos termos em que foi colocada, não tem para João de Melo qualquer sentido, opinião que justifica sublinhando três "evidências" acerca da escrita de Gabriel García Marquez : em primeiro lugar, este é talvez o oposto perfeito de Borges, "com a superior vantagem de a sua obra, apesar de muito menos eclética do que a do argentino, assumir em pleno e em risco, a ideologia do século". Por outro lado, a originalidade do colombiano dificilmente se adapta às convenções e conceitos da tradição literária bem-pensante.
Finalmente João de Melo destaca o carácter universal da obra de Gabriel García Marquez, que o coloca entre os maiores criadores do século XX, ao lado de Kafka, Camus, Hemingway e o próprio Borges.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Conheces o autor do mês?

António Alves Redol

Vila Franca de Xira, 29 de Dezembro de 1911 – Lisboa, 29 de Novembro de 1969), escritor, considerado como um dos expoentes máximos do neo-realismo português.

Começou a trabalhar ainda bastante jovem, devido situação modesta da sua família. Parte para Angola, aos 16 anos, procurando melhores condições de vida, regressando a Portugal três anos depois. Junta-se ao Movimento de Unidade Democrática (MUD), que se opunha ao regime do Estado Novo, e filia-se no Partido Comunista, escrevendo artigos no jornal O Diabo.
Introduziu o neo-realismo em Portugal com o romance Gaibéus (1939), nome dado aos camponeses da Beira que iam fazer a ceifa do arroz ao Ribatejo, em meados do século XX. Daí em diante sua obra revela uma grande preocupação social, ainda que velada, dada a censura e a perseguição política movida pelo regime de Salazar aos oposicionistas, e nomeadamente aos simpatizantes do PCP, como era o caso. Chegou mesmo a sofrer prisão política tendo sido torturado.
O seu último romance, Barranco de Cegos, de 1962, é considerado sua obra-prima e afirma sua nova fase, em que a intervenção política e social é posta em segundo plano, dando lugar a um cuidado especial com as  personagens e a sua evolução psicológica.
Obras Literárias
•          Gaibéus (1939)
•          Marés (livro) (1941)
•          Avieiros (1942)
•          Fanga (1943)
•          Os Reinegros (1945)
•          Anúncio
•          Porto Manso (1946)
•          Ciclo Portwine (composto de três romances: Horizonte Cerrado (1949), Os Homens e as Sombras (1951) e Vindima de Sangue (1953) )
•          Olhos de Água (1954)
•          A Barca dos Sete Lemes (1958)
•          Uma Fenda na Muralha (1959)
•          Barranco de Cegos (1962), considerada a sua obra-prima.
•          A Vida Mágica da Sementinha
•          Constantino, Guardador de Vacas e de Sonhos

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Autor do mês

Tomas Tranströmer (Estocolmo, 15 de abril de 1931) é um poeta, tradutor e psicólogo sueco.
A poesia de Tranströmer tem uma grande influência na Suécia e em todo o mundo, sendo ele o poeta sueco mais traduzido, desde 1973: os seus poemas estão traduzidos em mais de trinta línguas. Recebeu numerosos prémios literários, como por exemplo o Prémio Literário do Conselho Nórdico em 1990 e o Prémio Nobel da Literatura em 2011.
Tranströmer iniciou-se na poesia aos 23 anos de idade. O seu primeiro livro intitulava-se 17 dikter (17 poemas). A maior parte da sua obra é escrita em verso livre, embora também tenha feito experiências com linguagem métrica. Na sua escrita nota-se uma certa disciplina horaciana.
Vive presentemente numa ilha, longe dos olhares do mundo e dos meios de comunicação. Foi psicólogo de profissão até 1990. Redigiu cerca de uma quinzena de obras numa longa carreira dedicada à escrita.
Em 1990 foi vítima de um acidente vascular cerebral que o deixou em parte afásico e hemiplégico, isto é, não consegue falar e perdeu as faculdades motoras. Continuou a escrever e publicou três obras, como "O Grande Enigma: 45 Haikus".
Tomas Tranströmer escreve sobre a morte, a história, a memória e é conhecido pelas suas metáforas. É um poeta que tem uma produção pequena, "não é prolixo", disse no final do anúncio o secretário da Academia, o historiador Peter Englund, embora esteja traduzido em várias línguas. Em Portugal, Tranströmer tem poemas publicados em duas antologias, uma delas chama-se "Vinte e um poetas suecos" (Vega ,1987).